



Governadores de 23 estados estão se articulando por um pacto nacional para reduzir a transmissão do novo coronavírus por meio de medidas restritivas em todas essas unidades da Federação até o próximo domingo, dia 14. A ação é encabeçada pelo o coordenador da estratégia para vacina contra covid-19 no Fórum Nacional dos Governadores, Wellington Dias (PT).
A proposição foi feita pelo gestor na manhã deste domingo, a consulta ainda está sendo feita com governadores que não aderiram ou se manifestaram. Os estados são, além do Piauí:
-Nordeste: Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe, Maranhão e Pernambuco
-Norte: Alagoas, Pará, Amapá e Amazonas
-Sudeste: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo
-Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná
-Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso
A ação se dá em uma semana de muitas críticas por parte do presidente Jair Bolsonaro às medidas restritivas adotadas em diversos estados e cidades. Na última quinta-feira (4), um dia depois de o país bater recorde de mortos por covid-19, com 1.910 registros, Bolsonaro discursou em Goiás (governador pelo seu aliado Ronaldo Caiado, do DEM, e que já aderiu ao movimento dos governadores) criticando as medidas e cobrando o retorno ao trabalho.
“Vocês (produtores, agricultores) não ficaram em casa, não se acovardaram. Nós temos de enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas", afirmou. O presidente coleciona ações e falas apontadas como negacionistas, com declarações que reduzem a gravidade da situação.
Além do pacto por medidas restritivas, o Fórum de Governadores cobrou uma reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que deve ocorrer na próxima segunda-feira (8), às 10 horas, depois que a pasta divulgou novo cronograma prevendo redução de 8 milhões de doses de vacinas contra covid-19 a serem distribuídas em março
A reunião terá também a presença da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que iria entregar 16,9 milhões de doses da vacina de Oxford/Astrazeneca em março, mas reduziu a previsão para 3,8 milhões.
Neste domingo (7), o ministério registrou 1.086 óbitos em 24 horas, chegando ao total de 265.411 pessoas mortas pela covid-19 no Brasil. Com mais 80,5 mil casos confirmados, a quantidade saltou para 11 milhões. O estado com a maior quantidade de óbitos continua sendo São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais.
Além do recorde diário, da última quarta-feira, o país bateu o recorde de maior quantidade de óbitos na última semana epidemiológica (28 de fevereiro a 6 de março), com a marca de 10.104 registros.


Um debate sobre o possível tratamento precoce para a Covid-19 tensionou os ânimos entre deputados estaduais durante sessão nesta quinta-feira (4), na Assembleia Legislativa do Ceará. A discussão tomou ares mais acalorados quando Delegado Cavalcante (PSL) sugeriu uso do medicamento ivermectina, além de opções caseiras como lambedores e chá de boldo para combater a doença.
Os embates ocorreram na esteira do decreto que implementa o lockdown em Fortaleza por 14 dias, a partir desta sexta (5). Parlamentares da base do Governo elogiaram a medida, enquanto deputados de oposição criticaram a decisão, justificando consequências econômicas pelo fechamento do comércio.
Ao usar a tribuna, o oposicionista Delegado Cavalcante fez críticas ao governador. “Não conheço uma cidade no Ceará que tenha adotado uma medicação preventiva (...) que faça o paciente não chegar na UTI (Unidade de Terapia Intensiva)", afirmou.
O deputado do PSL lembrou ainda o tratamento ao qual que escolheu se submeter quando contraiu o vírus: "Tem a medicação tradicional que eu usei quando tive Covid, que é o lambedor, o chá de boldo, o antibiótico caseiro. Isso é um vírus. (...) Nós estamos no período chuvoso, e a umidade faz se espalhar”, argumentou.
Por Felipe Azevedo - 04/03/2021 - 14:44Delegado Cavalcante defende uso de lambedor e chá de boldo para combater a Covid-19
“O tratamento precoce que vossa excelência cita serve precocemente para lombriga e para piolho, não para Covid", rebateu o deputado Acrísio Sena (PT), usando a tribuna em seguida. "Pergunte à comunidade científica”. Acrísio disse ainda que a postura de Delegado Cavalcante reproduz falas de crença e de vontade pessoal. “Cadê a cloroquina, que foi produzida aos milhões? Não tem serventia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que não tem serventia nenhuma".
Assim como a ivermectina, a cloroquina foi classificada como ineficaz no tratamento contra a Covid-19 pela OMS.
Assumindo a tribuna, o deputado Renato Roseno (Psol), também oposicionista, classificou a postura de Cavalcante como “mentira, manipulação e deboche”. Em tom acalorado, Roseno disse que “se utilizar de um mandato público para mentir deveria ser crime”.
"É mentira que tratamento precoce feito por drogas que não são cientificamente comprovadas pode resolver", rebateu. "Não dá para tratar de maneira educada ou tranquila,tamanha mentira, manipulação e deboche”, completou.
Ainda houve tempo para uma tréplica de Delegado Cavalcante. Da bancada, ele rebateu os dois colegas que o antecederam, e direcionou a fala para Renato Roseno: “Vocês não têm moral para nada. Querem fazer politicagem contra o presidente, o presidente é arrochado. Eu mereço respeito, o senhor me respeite”, respondeu.
Ao final, Cavalcante saiu em defesa de Jair Bolsonaro (sem partido), elogiando sua postura no combate à pandemia. O parlamentar também comentou ser minoria na Casa em defesa do chefe do Executivo Nacional. "(Bolsonaro) foi o homem que sustentou o Brasil por nove meses com auxílio emergencial. (...) Nessa Casa são 41 aliados do governador, um bolsonarista, dois que aqui acolá defendem e outro que nem aparece, e fica tudo nas minhas costas. Eu sou um burro de carga", completou.

Em meio ao crescimento dos casos de Covid-19 com necessidade de internação, uma preocupação que começa a rondar os municípios cearenses é a possibilidade de faltar oxigênio medicinal, um insumo hospitalar indispensável para tratar os pacientes neste momento. Em live nas redes sociais, na manhã deste domingo (7), o prefeito do município de Redenção, Davi Benevides, fez um alerta à população local de que já há dificuldade de aquisição do gás no mercado.
Em janeiro deste ano, em Manaus, no Amazonas, a ausência de oxigênio hospitalar ensejou um caos na rede de saúde da cidade com pacientes morrendo sem conseguir respirar, um caso de repercussão nacional.
A situação, inclusive, está sendo investigada em vários níveis para apontar as responsabilidades. Autoridades como o prefeito da capital amazonense, o governador do estado e até o ministro da Saúde estão sendo questionados pelo episódio manauara.
No Ceará, a aquisição do oxigênio é responsabilidade dividida. O estado cuida da parte da rede estadual e os prefeitos ficam responsáveis pela aquisição para os equipamentos municipais. A dificuldade, que acende a luz de alerta neste momento, é para as prefeituras.
“É muito importante que todos entendam que precisam cumprir as medidas de distanciamento. Todos precisam ajudar. Nós já estamos tendo dificuldade em adquirir oxigênio. Então, todos precisam ajudar. O peso na rede de saúde é muito grande”, disse o prefeito.
Outro forte sinal de alerta em relação ao fornecimento foi um ofício encaminhado por uma das empresas do setor para autoridades de saúde atestando que, devido ao crescimento de até 4 vezes no consumo dos gases hospitalares, há a possibilidade real de a empresa não conseguir atender a demanda.
A Secretaria de Saúde do Estado atesta a veracidade do ofício encaminhado pela empresa A& G Gases, mas garante que para a rede estadual, o estoque está garantido. O maior fornecedor da rede estadual é a White Martins, que possui fábrica no Estado.
Na última sexta-feira, o Ministério Público Estadual encaminhou recomendação a autoridades como prefeitos e secretários de Saúde de 34 municípios para garantir o abastecimento de oxigênio nas unidades hospitalares com um estoque de, pelo menos, 10 dias.
1.620 presos testaram positivo para Covid-19 no

A primeira infecção pelo coronavírus no Sistema aconteceu em abril de 2020, na Unidade Prisional Professor José Sobreira de Amorim, em Itaitinga. Agora, de acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), "a pandemia no Sistema Prisional segue acompanhando o cenário atual de disseminação geral do Estado do Ceará, apresentando um pequeno aumento de contaminação entre internos, servidores e terceirizados".
A informação foi publicada no mais recente boletim epidemiológico da Pasta, contabilizando casos até o dia 26 de fevereiro deste ano. No documento, a Secretaria destaca que "a contaminação dos internos limita-se aos casos nas triagens de porta de entrada do Sistema". Os últimos registros de internos infectados pelo coronavírus foram no Centro de Triagem e Observação Criminológica (CTOC), com nove casos; Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis), oito; Instituto Penal Feminino, um; cadeia pública de Tabuleiro do Norte, um; Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, um; e mais um fato no Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II).
Nessa quinta-feira (4) haviam 54 internos em tratamento para quadro leve da doença, sendo 29 deles recém-chegados da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), localizada no Centro de Fortaleza. A SAP afirma que todos os internos ao entrarem no sistema prisional são submetidos a testagem. Em quase 350 dias foram realizados pelo menos 17 mil testes entre internos e servidores.
Desde o início da pandemia, cinco internos, dois policiais penais e um colaborador da SAP morreram em decorrência da Covid. A última morte dentre os internos aconteceu já neste ano, em 18 de janeiro de 2021. Já o último óbito de policial penal foi em 9 de setembro de 2020. 91,8% dos presos são considerados como recuperados da doença.
"A SAP aproveita para esclarecer que ainda permanece com sua estrutura de Enfermaria Máxima de Saúde para isolar e tratar da forma mais adequada os internos que tenham sintomas ou apresentem resultado positivo para o novo coronavírus", disse a Pasta.
Protocolos
A diretoria do Sindicato dos Policiais Penais do Estado do Ceará (Sindppen-Ce) afirma estar preocupada com o relaxamento do cumprimento aos protocolos de vigilância sanitária. Eles se preparam para forçar a campanha de prevenção: "Eu me protejo, eu te projeto".
Segundo a presidente Joélia Silveira, hoje, um dos maiores problemas enfrentados dentro das unidades prisionais é a superlotação, que compromete as chances de dezenas de presos não se infectarem, caso um deles seja acometido pelo vírus.
"Nós tivemos informações que muitos policiais penais estão se reinfectando. Temos visto que hoje há máscaras suficientes, há álcool em gel suficiente. Não falta material, mas tem relaxamento por parte do próprio profissional em às vezes descumprir algumas medidas, como não utilizar a máscara da forma correta. Precisa haver cuidado de todos. O Sistema está completamente lotado e isso facilita na proliferação do vírus. Pedimos ainda que os policiais penais sejam vacinados logo. Atualmente, a previsão é de serem imunizados apenas na 4ª fase", destacou Joélia.
Visitas suspensas
Desde o dia 20 de fevereiro de 2021, a Secretaria suspendeu as visitas sociais aos internos nas unidades prisionais. Nessa quinta-feira (4), após o governador do Ceará divulgar decreto determinado 'lockdown' em Fortaleza, a SAP emitiu comunicado dizendo que pontuando que "as visitas social e a entrega de malotes ficarão suspensas enquanto durar o decreto que estabelece o isolamento social rígido".
A medida vale para todas as unidades prisionais do Estado e "tem o objetivo de preservar a saúde dos familiares, internos e servidores públicos que atuam nestes estabelecimentos".
