O secretário da Educação de Fortaleza, Ivo Gomes (Pros), publicou no Facebook matéria do portal O POVO Online – “Líder do PMDB ataca presidente do PT e prega fim da aliança” – e comentou: “O sonho de todo homem e mulher de bem desse país!” A peleja é obviamente nacional, mas tem tudo a ver com o Ceará. A provável candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) a governador contra o nome indicado pelo Palácio da Abolição, e o possível apoio do PT, são peças importantes no emaranhado que envolve os entendimentos pré-eleitorais no núcleo da aliança que governa o País – e que está reproduzida no Ceará. A situação por aqui, aliás, está muito mais perto de desmoronar do que em Brasília. Definitivamente, a manifestação de um personagem com a relevância e a influência de Ivo não ajuda na trabalhosa tarefa dos que ainda dizem se empenhar para manter os governistas cearenses unidos. Talvez até indique que a aliança por aqui já seja mesmo dada como irremediavelmente morta e enterrada pelo núcleo governante. Reservadamente, não são poucos os envolvidos que assim admitem. Nesse caso, se desfeito o acordo local, o melhor para o Pros cearense é mesmo o fim também da aliança nacional entre PT e PMDB. Dessa forma, chegam ao fim as pressões para que os petistas estaduais fiquem com Eunício.
O QUE VALE PARA O BRASIL NUNCA VALEU PARA O CEARÁ. ATÉ AGORA
Houve já vários momentos em que membros da família Ferreira Gomes esculacharam o PMDB. E sempre ficou claro – pelo menos até agora – que o que vale para o Brasil não vale, ou valia, para o Ceará. Agora, por exemplo, o principal instrumento de pressão peemedebista sobre o Governo Federal é a formação de um “blocão”, que reúne quase metade da Câmara dos Deputados. Sabe quem ocupa papel de destaque nessa frente partidária? O Pros, cujos líderes de principal expressão são Cid e Ciro Gomes.
Esse “blocão” é liderado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ - foto), que hoje lidera a artilharia pelo rompimento com o PT. Em dezembro de 2009, Ciro fez comentários sobre seu então colega de parlamento: “Eu não sei de onde este cara tirou tanto prestígio. Ele é o relator da CPMF, ele é o relator dos trambiques que se fazem nas medidas provisórias, ele foi presidente da Comissão de (Constituição e) Justiça. E o que se fala dele não é publicável”.
Sobre os colegas de Cunha, Ciro nunca foi muito mais comedido. “O PMDB tem tantas virtudes e defeitos como qualquer outro. O problema é a hegemonia. O problema é que quem manda no PMDB não tem nenhum escrúpulo, nem ético, nem republicano nem compromisso público. Nada. É um ajuntamento de assaltantes, na minha opinião”, disse em 2010, quando o partido, no Ceará, ajudava seu irmão Cid Gomes a se reeleger. E acrescentou, sobre o hoje vice-presidente da República: “O Michel Temer hoje é o chefe dessa turma, dessa turma de pouco escrúpulo”.
O CURIOSO OLHAR SOBRE UM ALIADO PREFERENCIAL
As críticas ao PMDB não são exclusividade da família Ferreira Gomes, mas é curiosa a recorrência dos ataques nacionais a um aliado preferencial no Estado. Mais intrigante ainda porque Eunício integra a alta cúpula do PMDB nacional. E os questionamentos nunca foram estendidos a ele. Isso até agora.
O BOM SINAL E A INTERROGAÇÃO SOBRE O CRIME DA ADUTORA
O desfecho na Polícia Civil da investigação sobre os defeitos na obra da adutora de Itapipoca deixa a interrogação: o dono da empresa que fez o trabalho, o engenheiro da empresa contratada para a fiscalização e o servidor da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) foram mesmo os únicos responsáveis pelo descalabro que deixou Itapipoca sem água no fim do ano passado? Sempre fica a dúvida se não haveria gente mais graúda envolvida. Por outro lado, o fato de serem apontados pela Polícia responsáveis – criminalmente, inclusive – por falhas em obra é novidade bastante bem vinda. Não é a primeira vez em que obras públicas por essas paragens apresentam problemas – dos pequenos aos bem graves. Vale lembrar a CE-168, entre Itapipoca e Itapajé, que se desmanchou com as chuvas em 2011, dois meses depois de recuperada; ou o canal do rio Granjeiro, no Crato, cujos milhões gastos pelo Estado em recuperação foram abaixo em 2012. Pode ser só incompetência e trabalho mal feito, o que precisa ser reparado e, eventualmente, punido. E pode ser que tenha gente levando vantagem com serviços de qualidade ordinária. Quando houver tais casos, não custa a Polícia Civil ser também chamada a conferir o que houve
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