A possibilidade de a presidente Dilma Rousseff vencer as eleições deste ano é grande devido à falta de uma candidatura de oposição capaz de aglutinar os diversos segmentos, de estilos políticos diferentes, insatisfeitos com o seu governo.
Ambos os candidatos de oposição possuem fragilidades que podem ser decisivas na manutenção de Dilma no poder. Aécio Neves (PSDB) carrega, além da herança peessedebista (para muitos, negativa), o estilo “mauricinho”, bon vivant, atrelado ao “sei como fazer”; típico perfil que rememora Collor antes da derrocada. Eduardo Campos (PSB), por outro lado, sustenta a imagem de segurança e experiência, mas com um ponto crucial e negativo: o desconhecimento de sua trajetória política por parcela expressiva do eleitorado nacional.
Em um primeiro momento, a dispersão de votos pode desfavorecer Dilma, levando-a ao segundo turno. Porém, essa dispersão demonstra, em teoria, que não há uma candidatura capaz de agregar os insatisfeitos com o governo, principalmente por questões ideológicas.
É evidente que os apoiadores e simpatizantes de Marina Silva são, em sua maioria, contrários ao estilo de governar do PSDB; tanto é que Marina “liberou” seu eleitorado na votação do segundo turno das eleições de 2010, não cedendo à vontade do PSDB de concretizar uma aliança com o PV. Além disso, o PSB, a partir de 1989, coligou-se a partidos com perfis ditos “de esquerda” (como PT e PCdoB); o rompimento do PSB com o PT, por exemplo, ocorreu devido ao fortalecimento da legenda nas últimas eleições e ao desejo de uma candidatura própria, praticamente com a anuência de Lula em conversas nos bastidores com Campos. Em um provável segundo turno, a falta de sintonia entre PSDB e PSB contará a favor de Dilma.
Outro ponto em destaque é o retrospecto das candidaturas à reeleição. Desde a aprovação da emeda da reeleição (EC nº 16/97), os candidatos à recondução à presidência venceram seus pleitos. Mesmo contando com apenas dois exemplos recentes, as reeleições de FHC e Lula demonstram que, quem detém o controle da máquina administrativa, possui vantagem nas disputas eleitorais independente da disparidade de perfis. Somam-se, ainda, as amplas coligações partidárias dos candidatos à reeleição e o reflexo no tempo do horário eleitoral, tornando a disputa desfavorável às candidaturas de oposição.
Porém, como eleição é semelhante a jogo de futebol, favoritismo nem sempre ganha jogo. Há, por parte da população brasileira, uma clara insatisfação com os políticos tradicionais e com o “jogo sujo” do poder. O combate à corrupção é uma bandeira que está nas ruas e o PT está maculado com a repercussão da condenação dos réus no caso do mensalão petista e o recente caso que veio à tona de superfaturamento na compra de uma refinaria em Pasadena, nos EUA, pela Petrobras.
Tudo dependerá dos conchavos políticos e da repercussão relacionada à corrupção, contando com um componente extracampo: a Copa do Mundo no Brasil. A conquista do hexa ou fracasso da seleção brasileira pode representar aos marqueteiros políticos o empurrão que faltava para uma vitória ou derrota de Dilma Rousseff.
* Thiago da Costa Cartaxo Melo,
Especialista em Análise Política e Relações Institucionais pela Universidade de Brasília
Especialista em Análise Política e Relações Institucionais pela Universidade de Brasília
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