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terça-feira, 12 de novembro de 2019

Homens representam mais da metade dos óbitos por AVC até 49 anos Pessoas com essa idade são consideradas jovens para serem acometidas com Acidente Vascular Cerebral; quando falam de prevenção, os médicos alertam para evitar episódios sucessivos de estresse na rotina e alimentação artificial. Pesquisa brasileira revela que em apenas 20% dos casos de AVC nas pessoas de 20 a 59 anos houve recuperação total dos pacientes Conforme levantamento do Núcleo de Dados do Sistema Verdes Mares, com base nas informações do Sistema DataSUS, do Ministério da Saúde, entre 2008 e setembro de 2019, no Ceará, foram 634 óbitos de homens de até 49 anos causados por AVC, uma média de 53 mortes por ano. Do total de óbitos registrados entre os homens, 373, ou 58,83%, foram em Fortaleza.

Entre as mulheres, foram confirmados 579 óbitos causados por AVC, uma média de 48 casos por ano. Do total de mortes registradas entre as mulheres, 353, ou 60,97% foram na cidade de Fortaleza.
Em resumo, foram 1.213 óbitos registrados por AVC no Ceará entre 2008 e setembro de 2019, na faixa etária de zero a 49 anos de idade. Sendo 52,27% em homens e 47,73% em mulheres. "Estudos relatam serem comuns, em casos de AVC, a ansiedade, a depressão, os distúrbios do sono e da função sexual, distúrbios motores, sensoriais, cognitivos e de comunicação, e alterações fisiológicas durante atividades físicas (dispneia, angina, hipertensão), que causam limitações para o retorno ao trabalho produtivo", diz Fábio Lessa, médico do Departamento de Saúde do Coletiva do Centro de Estudos e Pesquisa Aggeu Magalhães, de Recife.
Reabilitação
Pesquisa realizada pela entidade pernambucana com pessoas que tiveram o primeiro AVC entre 20 e 59 anos (com média de 52 anos) mostrou que em apenas 20% dos casos houve recuperação total, e nos outros 80% déficit em alguma capacidade, além do aumento de casos de depressão.


Logo que recebeu os primeiros atendimentos, George seguiu para a reabilitação com fonoaudiólogos e fisioterapeutas. De longe, caminhando na rua para a farmácia em que trabalha, nada de diferente se percebe; próximo, vê-se uma pequena inclinação no olho direito e no canto da boca. "Foi o que herdei desse acometimento. Sinceramente? Tô no lucro, porque agora passei a me cuidar melhor. Hoje eu me alimento bem, faço exercícios físicos e valorizo mais a vida, apesar de um abatimento aqui e acolá". Hoje, com 34 anos de idade e há nove desde o AVC, o farmacêutico faz terapia com psicóloga uma vez por semana há três anos. "Deve-se ter muita atenção nos casos de Acidente Vascular Cerebral nessas faixas consideradas mais jovens, porque estão associadas ao modo de vida, como uso de drogas, excesso de álcool e o estresse. Não um estresse de um ou outro momento, que isso é comum a nós, mas um estresse mais duradouro. Outra questão a ser observada é que, muitas vezes, em casos de AVC em jovens, há ocorrências na família de pessoas que também tiveram AVC ainda jovens, como é o caso de um avô que teve quando jovem e como isso pode afetar as gerações seguintes", afirma Fabrício Lima, diretor da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza.

De acordo com o médico neurologista, 12% dos casos que chegam à unidade são de pessoas com menos de 50 anos. "Quando aparecem casos de menos de 30 anos é incomum, mas em tese não deveriam ocorrer".

A unidade de AVC é composta por médicos neurologistas, enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. O atendimento integral acontece em 20 leitos de internação. A unidade tornou-se uma referência também por ter sido a primeira no Estado a oferecer tratamento a partir do trombolítico. O medicamento diminui em 50% as sequelas da doença e em 30% a mortalidade.

De janeiro a setembro, o HGF atendeu 611 pacientes. Os hospitais regionais do Cariri e do Sertão Central atenderam, juntos, 1.527 pessoas de dezenas de municípios.

"A tecnologia para a saúde aumenta, mas o avanço se torna pouco quando é para acompanhar outro: o de um modo de vida cada vez mais estressante, barulhento e gorduroso. É como posso resumir essa modernidade. A medicina evolui para alcançar os males intensificados pela própria modernidade", acredita Saulo Gonçalves, sociólogo pela Universidade Estadual do Ceará.

Assim como ele, médicos ouvidos pela reportagem destacam que a vida cada vez mais estressante e o consumo de coisas cada vez mais artificiais são uma mola propulsora para situações como o AVC.

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