O presidente do BC, Roberto Campos Neto Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo NewslettersBRASÍLIA — O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que há pouco espaço fiscal para prorrogar o auxílio emergencial. A declaração ocorre em meio à pressão do Congresso para estender o benefício sem aprovar medidas de ajuste fiscal.
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Questionado sobre a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de uma nova rodada de repasses, Campos Neto afirmou que, se a decisão for tomada, contrapartidas serão necessárias.
— Nós pensamos que há pouco ou nenhum espaço para mais transferências fiscais sem contrapartidas. É necessário ter certeza que você está falando para o mercado que você tem a necessidade de gastar um pouco mais, mas está tomando medidas para frear um crescimento de despesas no futuro — disse ele, durante transmissão ao vivo.
O presidente do BC vem há alguns meses defendendo uma diminuição dos gastos do governo e alertando que um aumento extraordinário de despesas pode trazer efeitos negativos para a economia, diminuindo a credibilidade do país.
— Nós passamos por um ponto de inflexão em que o mercado está nos contando que se você apenas gastar mais, a reação das variáveis do mercado à fragilidade que o país terá com a situação fiscal, o efeito vai ser pior do que os benefícios de colocar mais dinheiro na economia.
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Assim como o presidente Bolsonaro, o novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e o da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) já sinalizaram que vão avaliar uma volta do auxílio emergencial. Campos Neto vê um “consenso” hoje que qualquer medida precisa estar dentro de um quadro de disciplina fiscal.
— Em ambos, no Executivo e no Legislativo, eu vejo que há um consenso hoje que se qualquer coisa for feita, precisará ser dentro desse quadro de disciplina fiscal.
Reformas e investimento privado
Para a retomada da economia, o presidente do BC defendeu a agenda de reformas, que segundo ele, está mais próxima de começar a andar no Congresso. A aprovação essas reformas seria uma forma de gerar credibilidade para estimular os investimentos privados.
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— Eu acredito que a melhor maneira para crescer é fazer mudanças que gerem credibilidade para o setor privado investir. O número um são as reformas fiscais, temos também uma reforma tributária e muitos outros pontos que estão no Congresso para serem aprovados.
A projeção para 2021 é que o crescimento seja mais fraco no primeiro trimestre e melhore apenas na segunda metade do ano. A previsão do Banco Central para o PIB deste ano é um crescimento de 3,8%.
— O primeiro trimestre ainda será fraco, o segundo, dependendo da vacinação, podemos começar a ver uma recuperação e aí acreditamos que o segundo semestre será melhor — disse Campos Neto.
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