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domingo, 14 de maio de 2023

China

(Fonte: SAYS/Reprodução)

Há anos que a China luta contra a prática, chegando a prender um homem no começo de abril desse ano por vender óleo de esgoto na província de Jiangsu. Ele foi condenado à prisão perpétua. Mas em um país onde o produto está cada vez mais caro, levará um tempo até que as autoridades possam reprimir de maneira efetiva a prática, e os infratores sejam desestimulados.
Além de seu sabor, a comida chinesa é conhecida por ser feita em muito óleo, devido à prática de uma fritura muito rápida de carne e vegetais, uma técnica excelente e deliciosa que sela a umidade o sabor. Não é para menos que no ranking de consumo de óleo no mundo, a China fica em segundo lugar, com 13,2% de sua parte.

Com isso, surgiu um mercado ilegal e perigoso criado por oportunistas e vendedores de comida que se envolvem na extração, processamento e uso em suas cozinhas do denominado 'gutter oil', ou óleo de esgoto, um produto derivado da graxa amarela, que é óleo de cozinha usado, recuperado de empresas e indústrias para fabricar sabão, alimentar o gado, produzir maquiagem, roupas, borracha e detergentes.

Mas, em vez de fazer o descarte para reciclagem desse rejeito, muitos usam esse óleo, sobretudo em comércios ambulantes, para cozinhar a comida.

Há uma indústria imensa que coleta e produz graxa amarela para fazer óleo de cozinha, dominada por várias empresas de grande porte, bem como empreendedores e empresas de pequeno porte que coletam o produto e o vendem. Em meio a isso, estão os comerciantes de óleo de esgoto, o rejeito não refinado de todo o óleo produzido em restaurantes e grandes empresas.

Foi assim que retirar óleo usado dos esgotos, caixas de gordura, resíduos de matadouros para reprocessá-lo e depois vendê-lo tornou-se uma prática bastante comum. Mas o nojo de ter esse óleo misturado em alimentos não se limita a isso: ele também é considerado altamente nocivo para a saúde por conter substâncias cancerígenas e outras toxinas.

Em algumas amostras colhidas para estudo, o óleo de sarjeta apresentou vestígios de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), que são poluentes orgânicos perigosos, capazes de causar câncer em consumo a longo prazo; além de aflatoxinas, compostos altamente cancerígenos produzidos por certos tipos de fungos. Após a contaminação, o óleo residual sofre ranço, oxidação e decomposição, podendo causar indigestão, insônia, desconforto hepático e até morte por intoxicação.

Devido aos rumores de que restaurantes possam fazer o uso desse óleo, vários clientes passaram a trazer o próprio óleo de casa e exigir que sua comida fosse preparada com ele.

A indústria dos Estados Unidos produz cerca de 0,6 bilhão de quilos de graxa amarela, sendo que o mercado global foi avaliado em US$ 5,50 bilhões em 2017, com uma estimativa de crescimento de 6% da taxa de crescimento anual composto para atingir US$ 8,48 bilhões até 2019.

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