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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CPI PETROBRÁS

Após revelação de nomes, Kroll decide encerrar investigação para CPI da Petrobras
Empresa afirma que não haverá renovação porque não alcançou acordo sobre “termos contratuais”; CPI pediu investigação de 12 pessoas, sendo 9 delatores


BRASÍLIA - BRASÍLIA - Após a revelação dos 12 alvos que estavam sob investigação a pedido da CPI da Petrobras, a Kroll enviou nota à imprensa informando que não renovará o contrato para a continuidade dos trabalhos. Das doze pessoas que estavam sob investigação, nove celebraram acordos de delação premiada.

“A Kroll informa que não celebrará novo contrato para trabalhos adicionais com a CPI da Petrobras, por não ter alcançado um acordo em relação aos termos contratuais”, diz trecho da nota.

A empresa afirma que realizou as primeiras fases do trabalho entre 8 de abril e 10 de junho e que desde então esperava a conclusão das negociações sobre a renovação. A Kroll destaca que após apresentação do relatório inicial, “a CPI manifestou à Kroll a sua satisfação com relação ao trabalho realizado”.

A Kroll foi contratada por R$ 1,080 milhão para as duas primeiras fases da investigação. Restariam ainda outras quatro fases e para manter os 12 alvos a estimativa é que o preço final pudesse chegar a R$ 10 milhões. A empresa exigia ainda da CPI um cheque caução para fazer frente a possíveis indenizações que tivesse de pagar pela realização do trabalho.

Diante da pressão dos parlamentares e da acusação de utilização da Kroll para tentar derrubar delações premiadas, o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), decidiu compartilhar com os demais parlamentares o relatório já apresentado e os nomes dos 12 investigados.

Os alvos eram o doleiro Alberto Youssef, o lobista Julio Camargo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o ex-gerente Pedro Barusco, o empresário Augusto Mendonça, os executivos da Camargo Corrêa Eduardo Leite e Dalton Avancini, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, o lobista Julio Faerman, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, e Stael Janene, viúva do ex-deputado José Janene. Os oito primeiros são delatores da Lava-Jato. Faerman fez delação em outro processo, que corre no Rio de Janeiro. Duque negocia a delação premiada, mas ainda não há notícia sobre a homologação do acordo.

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Youssef e Camargo são delatores que acusam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de recebimento de propina por contrato na Petrobras. As delações de Youssef e Paulo Roberto Costa já levaram a abertura de investigação no STF contra 35 deputados e senadores. Ricardo Pessoa também citou políticos em sua delação, que já foi homologada pelo STF.

A investigação contratada pela CPI buscava ativos no exterior dos investigados. O objetivo seria promover a repatriação dos recursos. No caso dos delatores, eles já preveem tal medida em seus acordos de colaboração com o Ministério Público Federal. Portanto, a investigação da Kroll só teria efetividade se encontrasse algum bem não declarado. Nesse caso, estaria aberta a possibilidade de cancelar os benefícios que os delatores obtiveram no acordo.

O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), não quis confirmar publicamente os nomes envolvidos na investigação. Ele disponibilizou aos colegas o relatório sobre a primeira parte da investigação que encontrou indícios da existência de 59 contas bancárias, 33 empresas e 6 imóveis no exterior. Contra quatro dos investigados haveriam indícios mais fortes. Motta nega que o objetivo da investigação seja anular as delações.

— Não gostaria de falar sobre delator ou quem não fez delação. Existem pessoas nas duas situações. Todos que fizeram ou não são pessoas justificáveis de estarem nessa investigação — disse Motta.

DIRETOR DO BC DEFENDEU TRABALHO DA INSTITUIÇÃO

A reunião em que foi discutida a lista dos investigados da Kroll aconteceu entre depoimentos que tratam de lavagem de dinheiro. O diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, falou por mais de três horas. Ele defendeu o trabalho realizado pela sua área e afirmou que o sistema de combate a lavagem de dinheiro do Brasil tem a robustez reconhecida por entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Afirmou que as corretoras sob investigação na Lava-Jato são também alvo de processos administrativos e outros procedimentos no âmbito do BC.

Anthero fez ainda uma análise sobre os eventuais riscos do sistema financeiro em relação às empresas sob investigação na Lava-Jato. De acordo com ele, a avaliação do BC é que não há risco de contaminação sistêmica nas instituições financeiras em caso de insolvência de várias das empresas investigadas.
– O sistema financeiro suporta essa situação. Ele apresenta níveis robustos de sustentação e de solidez. O sistema financeiro tem condições de enfrentar essa situação e ter condição de ter robustez na economia – afirmou o diretor.

A CPI retomou os depoimentos nesta tarde. A primeira a ser ouvida é Maria Lúcia Ramires Cardena, secretária do doleiro Raul Henrique Srour. Ela obteve um habeas corpus para ficar em silêncio na comissão e registrou apenas que não lidava com as operações financeiras do patrão e, portanto, não teria envolvimento na lavagem de dinheiro.

Serão ouvidos ainda Luccas Pace Júnior, que trabalhava com a doleira Nelma Kodama e fez delação premiada, e Marco Antonio Rodota Stefano, diretor da corretora TOV.
 ATUALIZADO 13/08/2015 16:19

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