Foguetes disparados de Gaza atingem Israel antes do fim da trégua
Segundo o Exército israelense não há registro de feridos.
Trégua de 72 horas termina às 2h desta sexta-feira, no horário de Brasília.
Foguetes lançados da Faixa de Gaza atingiram nesta sexta-feira (8), no
horário local, o território israelense, cerca de quatro horas antes do
fim da trégua de três dias entre Israel e o movimento palestino Hamas.
"Agora mesmo, dois foguetes disparados de Gaza atingiram o sul de
Israel. Não há registro de feridos", informou o Exército hebreu no
Twitter poucas horas antes das 5h GMT (2h de Brasília), hora estipulada
para o fim da trégua.
"Os terroristas violaram o cessar-fogo", acrescentou o Exército. Mais tarde, o Hamas negou que tenha sido autor dos disparos.
O braço armado do Hamas pediu nesta quinta-feira (7) que os
negociadores palestinos, que estão no Cairo para tentar chegar a um
acordo sobre um cessar-fogo definitivo na Faixa de Gaza, não estendam a
trégua que está em vigor na região se suas demandas não sejam atendidas.
O grupo disse que está pronto para se envolver em uma longa guerra caso
o acordo de cessar-fogo não inclua seus pedidos, em particular, a
abertura do porto de Gaza.
“Nós instamos a delegação palestina que está negociando [o cessar-fogo]
a não renovar a trégua exceto após a aceitação em princípio [das
demandas], em particular a abertura do porto, e se não houver aceitação,
em seguida, pedimos à delegação para se retirar das conversas”, disse
um combatente do grupo, com o rosto coberto por um lenço palestino, em
um comunicado das brigadas Izzedine al-Qassam que foi transmitido pela
rede de TV catariana Al Jazeera.
Negociações
Nesta quinta, os mediadores egípcios trabalhavam contra o relógio para
conseguir estender a trégua na Faixa de Gaza entre Israel e palestinos.
As negociações são feitas de maneira indireta, já que os dois lados se
recusam a reunir-se face a face.
Israel tem demonstrado interesse em concordar com um prolongamento do
cessar-fogo, e os mediadores egípcios buscam negociar uma trégua
duradoura para a guerra que devastou o enclave controlado pelo Hamas,
enquanto os palestinos colocam como condição a interrupção do bloqueio
egípcio-israelense e a libertação de prisioneiro detidos por Israel.
Os mediadores buscam estabilizar e estender a atual trégua com um
acordo dos dois lados, além de abrir negociações em direção a um acordo
permanente de cessar-fogo.
Uma autoridade israelense disse na quarta-feira à noite que Israel
"expressou sua disposição para estender a trégua sob os termos atuais"
para além de sexta-feira de manhã, quando expira o cessar-fogo de três
dias iniciado na terça-feira, respeitado até o momento.
Mas o líder do Hamas baseado no Cairo, Moussa Abu Marzouk, disse: "Se
havia uma oportunidade de paz, foi perdida junto com os corpos de nossas
crianças e os escombros de nossas casas".
US$ 1,44 bilhão
A guerra de um mês em Gaza teve custo de US$ 1,44 bilhão para a
economia de Israel, disse o presidente do banco central israelense,
Karnit Flug, nesta quinta.
"A avaliação é de que pode chegar a cerca de 0,5% do PIB, o que é até 5
bilhões de shekels", disse Flug à emissora israelense de TV Channel
Ten.
Autoridades de Gaza dizem que a guerra matou pelo menos 1.874
palestinos, a maioria civis. Israel afirma que 64 de seus soldados e
três civis foram mortos desde o início dos combates, em 8 de julho. As
informações são da agencia de notícias Reuters.
ONU pede trégua
A ONU pediu nesta quinta a extensão da trégua entre Israel e o Hamas
para que os palestinos de Gaza possam receber ajuda humanitária, informa
a France Presse.
"O cessar-fogo de 72 horas entre Israel e as facções palestinas, que
entrou em vigor no dia 5 de agosto, deve continuar", disse em um
comunicado o coordenador de Operações Humanitárias da ONU na Faixa de
Gaza, James Rawley.
"Devemos aumentar rapidamente a magnitude de nossa intervenção
(humanitária) para atender às necessidades da população de Gaza, agora e
a longo prazo. Mas, para isso, precisamos uma trégua duradoura",
ressaltou.
Durante os últimos dois dias, equipes humanitárias distribuíram
alimentos para 'centenas de milhares de pessoas', ressaltou Rawley.
Além disso, estão sendo realizadas obras para reparar a rede de água e esgoto, acrescentou.