Operação Darknet cumprirá 100 mandados em 18
estados e no DF, com participação de mais de 500 policiais federais
RIO - A Polícia Federal
deflagrou na manhã desta quarta-feira a operação Darknet, que tem por objetivo
confirmar a identidade dos suspeitos e buscar elementos que comprovem os crimes
de armazenamento e divulgação de imagens e abuso sexual de crianças e
adolescentes na chamada “Deep Web” (internet profunda) — ramo da internet considerado
o underground da rede. Estão sendo cumpridos mais de 100
mandados de busca, de prisão e de condução coercitiva em 18 estados e no
Distrito Federal, com a participação de mais de 500 policiais federais.
A Operação Darknet
foi deflagrada simultaneamente por 44 unidades da Polícia Federal nos estados
do Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará,
Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do
Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e no Distrito
Federal. As informações obtidas durante as investigações que envolvem suspeitos
de outros países foram repassadas para autoridades de Portugal, Itália,
Colômbia, México, Venezuela.Pela primeira vez em operações de combate à
pornografia infantil, a Polícia Federal rastreou o ambiente da Deep Web,
considerado um meio relativamente seguro para que usuários da internet
divulguem anonimamente conteúdos variados. A arquitetura desse ambiente quase
que impossibilita a identificação do ponto de acesso (IP), ocultando o real
usuário que acessa a rede.Segundo a PF, “através de metodologia de investigação
inédita e ferramentas desenvolvidas, os policias federais conseguiram quebrar
esse paradigma e identificar, na Operação Darknet, mais de 90 usuários que
compartilham pornografia infantil”.Até o momento, somente as polícias dos
Estados Unidos e da Inglaterra realizaram investigações de crimes praticados
através da Deep web.Ao longo da investigação — iniciada há um ano — pelo menos
seis crianças foram resgatadas de situações de abuso ou de iminente estupro, em
diversos locais do Brasil. Em um dos casos, um pai relatava que iria abusar da
filha assim que ela nascesse.
Nesses episódios, policiais federais agiram e
evitaram que as crianças permanecessem ou se tornassem vítimas, prendendo
quatro investigados.Pelo menos uma pesquisa indica que, entre os homens presos
por posse de pornografia infanto-juvenil, 85% admitiram o contato sexual com
crianças.
A Polícia Federal disponibiliza em seu canal “pfnatela”,
no YouTube, a entrevista coletiva realizada às 14h30m desta quarta-feira no
Auditório da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul.
POR O GLOBO
15/10/2014
9:30
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