CONTOS DO MOTTA
HISTÓRIAS FICTÍCIAS QUE PODERIAM SER VERDADEIRAS
SEQUESTRO POR TELEFONE
Conto do sequestro faz mais uma vítima em São Roque
Postado em 13 set, 2014
Um aposentado de 57 anos de idade perdeu R$ 2 mil ao ser vítima de quadrilha que aplicou o golpe do “sequestro” quando informaram que sua filha estava em poder de bandidos. Desesperado, ele seguiu as instruções para que a jovem fosse liberada.
Tudo começou na tarde da sexta-feira, 5, quando R.V.B.J. atendeu ao telefone e foi surpreendido por uma mulher que o chamou de pai e, logo em seguida, disse que fora sequestrada e que estava sendo agredida pelos bandidos que queriam R$ 10 mil para libertá-la.
R. negociou os valores e acertou dois pagamentos de R$ 1 mil que seriam feitos em contas bancárias diferentes. Ele se dirigiu até uma casa lotérica para fazer os depósitos, quando se deu conta de que poderia ter sido vítima de um golpe. Em seguida procurou a agência da CEF onde relatou os fatos. A gerência conseguiu bloquear uma das contas.
Na outra, o dinheiro já havia sido sacado.
R.V.B.J. lavrou boletim de ocorrência e aguarda a possibilidade de reaver parte do dinheiro depositado.
Tudo começou na tarde da sexta-feira, 5, quando R.V.B.J. atendeu ao telefone e foi surpreendido por uma mulher que o chamou de pai e, logo em seguida, disse que fora sequestrada e que estava sendo agredida pelos bandidos que queriam R$ 10 mil para libertá-la.
R. negociou os valores e acertou dois pagamentos de R$ 1 mil que seriam feitos em contas bancárias diferentes. Ele se dirigiu até uma casa lotérica para fazer os depósitos, quando se deu conta de que poderia ter sido vítima de um golpe. Em seguida procurou a agência da CEF onde relatou os fatos. A gerência conseguiu bloquear uma das contas.
Na outra, o dinheiro já havia sido sacado.
R.V.B.J. lavrou boletim de ocorrência e aguarda a possibilidade de reaver parte do dinheiro depositado.
- Alô, é o Celso? Quero falar com o Celso.
-É ele, pode falar.
- O senhor ama a sua filha?
- Não tenho filha.
- Mas o senhor ama a sua filha?
- Já falei que não tenho filha.
- Ah, não? Mas, bem, o senhor ama a sua mulher?
- Claro, estou casado com ela há 20 anos.
- E não tem filha?
- Nem filho. E daí? Afinal, o que o senhor quer?
- É sobre a sua mulher...
- O que tem a minha mulher?
- O senhor ama a sua mulher?
- O senhor já me perguntou isso.
- É que nós estamos com a sua mulher.
- Nós quem?
- Ah, isso eu não posso falar.
- Então vou ter de desligar. Não sei quem é o senhor nem o que quer.
- É sobre a sua mulher...
- Mas que é que tem a minha mulher?
- Nós estamos com ela e se o senhor a ama...
- Mas que raio de história é essa de eu amar a minha mulher?
- Não, veja, se o senhor a ama... É que nós estamos com ela...
- E daí? Ela pode ficar com quem quiser. É minha mulher, mas pouco me importa quem são seus amigos.
- Mas nós não somos amigos dela.
- E não me importa quem são seus inimigos.
- É que estamos com sua mulher e se o senhor a ama e a quiser de volta, vai ter de pagar para nós dez mil reais.
- Pagar para ter a minha mulher de volta? Mas o que é isso?
- O senhor não entendeu? Nós seqüestramos a sua mulher e se o senhor quiser ter ela de volta, vai ter de pagar...
- Dez mil reais? A minha mulher vale dez mil reais? Nem eu valho isso.
- Bom, pode ser menos. Oito mil.
- Nem cinco, nem mil. Para que eu vou querer pagar pela minha mulher? Pago todo dia para ela. Quem é que trabalha aqui nesta casa? É ela? Não senhor, sou eu. Ela só sabe gastar.
- Mas se o senhor ama a sua mulher, vai ter de pagar.
- O senhor respeite a minha mulher. Pagar uma ova. O senhor acha que ela é uma prostituta?
- Não, não disse isso. Só que queremos dez, não, cinco mil reais para soltar a sua mulher, senão...
- O quê? Soltar? Como? Ela está presa? Aprontou alguma? Roubou, matou? Bateu o carro? Estava bêbada?
- Não, não... É que nós a seqüestramos...
- E ela não fez nada? Ficou quieta? Como foi isso? Quero falar com ela agora para resolver esse assunto. Passe já o telefone para ela.
- Mas não é assim que funciona. Não posso deixar o senhor falar com ela. Mas ela está bem.
- Mas é claro que está bem. Não trabalha, gasta o meu dinheiro, vive fofocando com as amigas, não limpa a casa, cozinha com uma má vontade que dá dó e o senhor queria que ela estivesse doente? Que estivesse Cansada? Claro que não. Está é gorda, desmazelada.
- Então, se o senhor quiser que ela volte, vai ter de pagar cinco mil...
- De novo? Como vou ter pagar para ter a minha mulher? Isso é um absurdo! Nem um centavo, nada.
- Mas se o senhor não pagar, nós vamos ter de dar um sumiço nela.
- Como se isso fosse fácil... O senhor diz isso porque não conhece a minha mulher. O senhor não acha que eu já quis sumir com ela umas mil vezes? E sabe o que consegui? Sabe? Ela não larga mais do meu pé, só vive para me encher, faça isso, faça aquilo, não coma isso, não beba aquilo... Um inferno.
- E como nós vamos resolver o assunto?
- Por mim está resolvido. Se o senhor sumir com ela seráótimo para mim que fico livre dela e não gasto mais nada.
- Mas assim nós vamos ficar no prejuízo.
- E eu que estou faz 20 anos no prejuízo? Isso não conta?
- Mas não está certo, não é assim que funciona. O senhor tem de pagar.
- Não pago e além disso mando a conta do que ela gastou este mês com o meu cartão de crédito para o senhor. Qual é o seu endereço, por favor?
- O meu ende... O senhor está louco?
- Faz tempo que estou, casado com essa mulher qualquer um fica louco. O endereço, o CIC e o RG, por favor que eu não quero mais perder meu tempo.
- Não vou dar endereço nem nada. O senhor não sabe que esse negócio de passar números pelo telefone para estranhos é perigoso, que está cheio de malandro e vigarista por aí?
- Se é assim, então vou ter de desligar.
- Tá bom, então até logo.
- Passe bem. E diga para minha mulher vir logo para casa.
- Pode deixar. Será um prazer. Um bom dia para o senhor.
- E para o senhor também.
Fim da ligação.


















