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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Restaurantes já veem queda de 80% no faturamento, aponta associação. Representante do setor de bares e restaurantes, Taiene Righetto critica restrições e lamenta perdas do segmento

 

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Legenda: Faturamento do setor tem sofrido queda de 80% com redução do horário de funcionamento
Foto: Arquivo

Com a redução de mais uma hora de funcionamento durante a semana, para até 19h, o setor de alimentação fora do lar no Estado continua contabilizando severos prejuízos. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel), Taiene Righetto, afirma que o faturamento das empresas do setor estão despencando.

Desde o dia 3 de fevereiro, restaurantes, barracas de praia e similares devem encerrar o atendimento às 20h, o que, segundo Righetto, praticamento impossibilita o funcionamento no período noturno.

"Continuamos na mesma situação, praticamente em lockdown para quem trabalha só à noite ou trabalhando pouquíssimas horas. Nosso faturamento já vem caindo 80%", afirma.

Para ele, as medidas de restrição não são efetivas. "A restrição aos restaurantes não está funcionando. Se estivesse, os casos estariam diminuindo. Reduzir uma hora não vai mudar em nada o contágio", afirma.

O presidente da Abrasel ainda avalia que o foco das ações estaduais deveria estar em problemas como as festas clandestinas e o transporte público. "Se estou com 50% (de capacidade), é óbvio que vai aglomerar".

Pacote de socorro

Em publicação nas redes sociais, o governador Camilo Santana lembrou que o Estado está negociando com o setor para preparar um pacote de medidas que devem minimizar os prejuízos enfrentados. Segundo o texto, as decisões serão anunciadas no início da próxima semana.

Righetto recorda que representantes do segmento enviaram uma série de propostas para serem analisadas há cerca de 20 dias e que, desde então, não receberam mais nenhuma sinalização.

"São medidas relacionadas principalmente a impostos, isenção de IPTU, de ICMS, suspensão de cortes de água e energia, além de alguma ajuda para custear a folha de pagamento, que é o mais pesado, mas principalmente negociações de como a flexibilização deve acontecer daqui para frente, para que sejam feitas de forma coerente e não prejudiquem uma atividade somente", revela.

"Nós queremos voltar a funcionar, não de qualquer jeito, mas com protocolos e medidas necessárias, para ajudar a reduzir a clandestinidade e o número de casos", acrescenta.

Toque de recolher começará mais cedo e comércio e serviços fecharão mais cedo

Governador Camilo Santana (PT) anunciou novo decreto que antecipa o horário do toque de recolher para as 20 horas de segunda à sexta-feira e para as 19 horas aos sábados e domingos. Documento terá vigência a partir de deste sábado, 27, e segue até o domingo, 7.

Comércio de rua funciona de segunda a sexta-feira até as 17h. As outras atividades econômicas e as religiosas, até 19h. Os serviços essenciais podem funcionar após esse horário. No sábado e domingo, restaurantes funcionam até as 15h, e outras atividades econômicas e religiosas até as 17h. Igrejas e academias de ginástica devem realizar suas atividades com até 30% de sua capacidade e seguindo todos os protocolos sanitários.

As barreiras sanitárias em Fortaleza continuam, assim como a recomendação para o controle pelos municípios no Interior. O trabalho continua remoto para servidores públicos que não atuam em atividades essenciais. Governo recomenda a mesma medida junto ao setor privado.

Em publicação nas redes sociais, o gestor afirmou que continua dialogando com o setor da educação "para avaliar a forma mais segura do retorno presencial das atividades, continuando até lá de forma remota". "Também temos conversado com o setor de bares e restaurantes para discutir algumas medidas de apoio, assim como lançamos recentemente para o setor de eventos. Já devemos anunciar essas medidas no começo da próxima semana", afirma.


Segundo ele, a ampliação da rede de assistência deve superar os 3 mil leitos de atendimento Covid, com mais de mil UTIs.

Veja as medidas
- Toque de recolher entre 20h e 5h, de segunda a sexta-feira, e entre 19h e 5h aos sábados e domingos, com saídas permitidas somente em situação de comprovada necessidade;
- Comércio de rua funciona de segunda a sexta-feira até as 17h. As outras atividades econômicas e as religiosas, até 19h. Serviços essenciais podem funcionar após esse horário. No sábado e domingo, restaurantes funcionam até as 15h, e outras atividades econômicas e religiosas até as 17h;
- Espaços públicos continuam com circulação restrita todos os dias a partir das 17h;
- Igrejas devem realizar suas atividades com até 30% de sua capacidade, e estimular as celebrações de forma virtual;
- Academias de ginástica devem funcionar com 30% de sua capacidade, devendo fazer o agendamento de horários para o devido cumprimento de todos os protocolos sanitários;
- Continua remoto o trabalho para servidores públicos, com exceção das atividades essenciais. Recomendação para a mesma medida junto ao setor privado;
- Seguem as barreiras sanitárias em Fortaleza, com recomendação para o controle por parte dos municípios no Interior.

Covid-19: DF registra aumento de 72% no número de casos Porcentagem se concretizou com média móvel de 955 no Distrito Federal. Secretaria de Saúde registrou mais de 1 mil novos casos confirmados e mais 14 mortes causadas pela covid-19

 

 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Com uma média móvel de casos em 955, o Distrito Federal registrou, nesta sexta-feira (26/2), aumento em mais de 72% no número de casos de covid-19 em relação aos últimos 14 dias. A média móvel de mortes ficou em 11,57, alta de 12,5% na comparação com o mesmo período.

O DF notificou, também, mais de 1 mil novos casos da covid-19 nas últimas 24 horas, conforme o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES-DF). Com isso, o DF chegou ao total de 294.911 casos. Destes, 282.531 (95,8%) pessoas estão recuperadas.

No Resumo Diário de Óbitos, a SES-DF notificou mais 14 mortes causadas pelo novo coronavírus, ocorridas entre 15 de fevereiro e hoje. Com isso, o DF totaliza 4.819 mortes, sendo 4.387 de moradores locais e 374 de pessoas vindas de Goiás. As que vieram de outros estados para serem atendidas no DF eram duas do Amapá, quatro da Bahia, 10 de Minas Gerais, três do Rio de Janeiro, uma de São Paulo, duas de Tocantins, cinco de Mato Grosso, treze do Amazonas, três de Roraima, uma de Rondônia, uma do Maranhão, uma do Acre e uma de Santa Catarina.

Entre as Regiões Administrativas (RAs), Ceilândia segue como a que mais registrou mortes: 826. São mais de 32 mil casos confirmados na cidade. Em Taguatinga, 482 pessoas perderam a vida após contágio do novo coronavírus, que contaminou mais de 23 mil moradores. Samambaia possui 17 mil diagnósticos positivos da doença e 364 óbitos. O Plano Piloto está com 27 mil casos confirmados e 347 mortes.

Leitos

De acordo com a última atualização da Secretaria de Saúde, por volta das 18h desta sexta, a taxa de ocupação total de leitos públicos de UTI para covid-19, no DF, estava em 88,61%. Na rede privada, a taxa é de 86,19%, conforme dados divulgados às 14h10. Com isso, a média geral de ocupação de leitos no Distrito Federal está em 87,4%.

A letalidade do DF está em 1,7%, enquanto que a taxa de mortalidade é de 143,7 por 100 mil habitantes.

Dezessete capitais têm ocupação de UTI adulta com pelo menos 80% . Ocupação de UTIs para Covid no Brasil atinge pior cenário desde o início na pandemia, diz Fiocruz

Legenda: O Brasil já contabiliza 251.498 óbitos acumulados desde o início da pandemia
Boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz divulgado nesta sexta-feira (26) aponta que a ocupação de leitos de UTI para pacientes infectados atingiu seu pior índice desde o início da pandemia. Documento revela que 12 estados e o Distrito Federal apresentaram taxa maior ou igual a 80%, estando no nível de alerta crítica.

Dezessete capitais têm ocupação de UTI do tipo adultos com pelo menos 80%. A análise da Fiocruz refere-se às semanas epidemiológicas 5, 6 e 7 deste ano, compreendendo o período entre 31 de janeiro e 20 de fevereiro.

"O Brasil apresentou uma média de 46 mil casos, valor mais elevado que o verificado em meados do ano passado, e média de 1.020 óbitos por dia ao longo das primeiras semanas de fevereiro. Nenhum estado apresentou tendência de queda no número de casos e óbitos", pondera o boletim.
Ceará voltou à marca do pico da pandemia

Após 15 dias no patamar de 90%, a ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adultas exclusivas para Covid-19 chegou a 95,5% no Ceará na atualização do IntegraSUS dessa quinta-feira (25). Boletim desta sexta-feira (26), atualizado às 16h03 mostra ocupação em 94.13%.
Covid-19 no Brasil

O cenário é de segunda onda do novo coronavírus no País. Na última atualização do Ministério da Saúde, nessa quinta-feira (25), foram contabilizados 1.541 novas mortes em relação ao dia anterior. Com isto, são 251.498 óbitos acumulados desde o início da pandemia.

No mesmo período, com 65.998 casos confirmados a mais, o País chegou a 10.390.461 confirmações anotadas. A letalidade da doença está em 2,4%. 9.323.696 pessoas já se recuperaram da doença.

TARCÍSIO OU COMO ERA CONHECIDO "TARCISÃO" - NOTA DE FALECIMENTO EM SOBRAL

A família do Tarcísio Marques Ibiapina, atendia por ''Tarcisão'', 68 anos, comunica os parentes e amigos o seu faleceu em sua residência vítima de um ataque cardíaco. A toda família os nossos votos de profundo pesar.
Sentimentos aos familiares

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Nos bastidores do STF, a proposta de emenda à Constituição – que reduz o poder dos magistrados de definir como e onde os parlamentares ficam presos em casos de flagrantes – é considerada “um absurdo”, que pode levar à impunidade.


Dólar: por que a moeda americana não cai no Brasil, na contramão do mundo Moeda brasileira trilhou caminho contrário às divisas de muitos países, inclusive emergentes, registrando forte desvalorização frente ao dólar no ano passado, apesar de recuperar-se um pouco nos últimos meses.

Real registrou forte desvalorização frente do dólar no ano passado — Foto: Getty Images via BBC
Nunca antes na história dos Estados Unidos tantos dólares foram emitidos. A decisão do Fed (banco central dos EUA) de imprimir dinheiro foi tomada para combater os efeitos da recessão econômica causada pela pandemia de covid-19.
Paralelamente, a taxa de juros foi reduzida e hoje está próxima de zero. Quando isso acontece, o país tende a ficar "menos atraente" aos olhos dos investidores estrangeiros, que tendem a buscar outros mercados com retornos maiores sobre seu capital.

Como resultado, o dólar perdeu valor ante as principais moedas globais. Mas não frente ao real.

Na verdade, a moeda brasileira se provou uma exceção, trilhando um caminho contrário às divisas de outros muitos países, inclusive emergentes: registrou forte desvalorização frente ao dólar no ano passado e recuperou-se um pouco nos últimos meses.

A série de gráficos a seguir, elaborados por Henrique Castro e Claudia Yoshinaga, professores da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da BBC News Brasil, mostra o comportamento do real frente ao dólar em três períodos diferentes, de 31 de janeiro de 2020 a 29 de janeiro de 2021, de 31 de julho de 2020 a 29 de janeiro de 2021 e, por fim, de 30 de outubro de 2020 a 29 de janeiro de 2021.

Variação cambial frente ao dólar — Foto: Henrique Castro/Claudia Yoshinaga/BBC

Variação cambial frente ao dólar — Foto: Henrique Castro/Claudia Yoshinaga/BBC

Ministros do STF veem ‘afronta’ com PEC da Imunidade e avaliam que projeto será questionado na Corte Câmara iniciou a tramitação de proposta que dificulta a prisão de parlamentares em reação ao caso do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ).

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pelo blog desde a quarta-feira (24) avaliam que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dificulta a prisão de parlamentares, esvaziando poderes do Judiciário, é uma espécie de “retaliação” e “afronta” à Corte por conta da decisão unânime de manter preso o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

Câmara dá aval à PEC sobre imunidade parlamentar; entenda a proposta
Líder do governo: PEC da Imunidade é reação ao STF por atuação no caso Daniel Silveira.

'Não é a Câmara da blindagem', diz Lira sobre PEC da Imunidade
Texto tramita em velocidade incomum. Protocolado e analisado no plenário no mesmo dia, prevê novas regras para imunidade parlamentar e torna mais difícil a prisão em alguns casos.





Câmara tenta votar alteração na Constituição para dificultar prisão em flagrante de parlamentares

Na análise de um ministro do STF, a cúpula da Câmara argumentou, na semana passada, que não queria confrontar uma decisão do STF, tampouco criar uma crise institucional com a Corte. Por isso, decidiu manter a prisão de Silveira em plenário.

No entanto, aproveitou o episódio para acelerar a discussão de um projeto que beneficia - e blinda - a classe política. “O confronto menor seria soltar um, não dar margem para não prender ninguém”, ironiza um integrante do STF, reservadamente.

Ministros da corte avaliam que o projeto será questionado, e a Corte terá de avaliar a constitucionalidade do texto. Reservadamente, ministros já admitem pontos da PEC que, uma vez questionados no STF, deverão ser derrubados.

Dos 860 leitos ativos nas redes pública e privada, 797 estão ocupados

Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do DF (Anape) Por meio de nota, avalia que “a recriação do auxílio emergencial não pode depender da desvinculação de recursos da Educação e da Saúde, ou do fim do financiamento do BNDES e, muito menos, do arrocho permanente dos servidores públicos”

“Existem outras soluções. O auxílio é necessário e urgente, porém a solução para os desafios que a pandemia nos impõe não deve estar no sacrifício da qualidade do serviço público brasileiro”, aponta a Anape.

Veja a nota:

“A Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do DF (Anape) vem atuando diuturnamente durante a pandemia da covid-19, por meio das Procuradorias dos Estados, e acompanhando atentamente os impactos da crise sanitária em toda a sociedade brasileira. Por isso, entendemos a necessidade de se criar condições para o enfrentamento das consequências sociais, em especial, a criação de novo auxílio emergencial, tão necessário para a população vulnerável do país, que, com a pandemia, ficou mais vulnerável ainda.

No entanto, a Anape avalia que a recriação do auxílio emergencial não pode depender da desvinculação de recursos da Educação e da Saúde, ou do fim do financiamento do BNDES e, muito menos, do arrocho permanente dos servidores públicos. Somos contra o corte indiscriminado de despesas e direitos previsto no artigo 167-A da PEC nº 186/2019 (PEC Emergencial), por ofender à autonomia dos Estados e a prerrogativa dos Poderes, além de promover a precarização dos serviços públicos.

Já o artigo 167-G – que estabelece as mesmas restrições, vedações e congelamento de salários previstos no artigo 167-A de maneira imediata, até o segundo ano do exercício seguinte ao término do estado de calamidade pública – também prejudica o serviço público, já impactado pelas restrições previstas na Lei Complementar 173/2020. O dispositivo não leva em conta a autonomia dos entes e as variantes constantes da própria Administração Pública.

Existem outras soluções. O auxílio é necessário e urgente, porém a solução para os desafios que a pandemia nos impõe não deve estar no sacrifício da qualidade do serviço público brasileiro.”

Servidores vencem a primeira batalha Publicado em 19/02/2021 - 08:18 Vera BatistaServidor As notícias de que o governo pretendia condicionar o pagamento de mais quatro meses de auxílio emergencial para a população de baixa renda ao congelamento do salário dos servidores indignou o funcionalismo. “Não é preciso cortar de quem já ganha pouco para custear o combate à pandemia ou outra qualquer calamidade pública”, alerta Vladimir Nepomuceno

Eles venceram a primeira etapa da briga, porque esse item foi retirado da PEC Emergencial, mas não baixaram a guarda diante da ameaça de outras medidas no mesmo sentido. “O governo quer jogar cerca de 67 milhões de brasileiros que estão com o pires na mão contra os servidores, como se fôssemos os culpados pelo fracasso da equipe econômica, que não tem capacidade para administrar o país”, afirmou Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

“Como falar em congelamento de salários, se isso já acontece desde janeiro de 2017? É uma repetição sem limites desse senhor (ministro da Economia, Paulo Guedes). Estamos fazendo um levantamento para refrescar a memória dele e mostrar que a perda do poder de compra está chegando próximo aos 35%”, afirmou Silva. Ele lembrou que cerca de 65% dos servidores estão pendurados até o pescoço nos consignados. “Devem R$ 222,2 bilhões aos bancos, descontados nos contracheques. Vamos lançar uma campanha no final de fevereiro para desmistificar essas mentiras”.

Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional das Carreiras de Estado (Fonacate), lembrou que o teto de gastos limita as despesas à inflação medida pelo IPCA. Nas contas dele, até o final do ano, o governo federal vai economizar R$ 18,7 bilhões com o congelamento salarial em curso. “Esse valor atingirá a cifra de R$ 30 bilhões no primeiro ano do próximo governo. Se considerarmos a inflação medida pelo IGP-M, que disparou nos últimos meses, o governo fará um caixa de R$ 75,4 bilhões pela falta de reposição salarial ao funcionalismo”, disse. Medidas dessa natureza, reforçou, são contraproducentes quando a economia precisa de estímulos.

 

“Estudos do Cedeplar/UFMG apontam os possíveis efeitos contracionistas da PEC Emergencial, pois por um lado é um dinheiro que deixa de circular na economia e de movimentar as cadeias produtivas, por outro gera incertezas que impedem investimentos e, ainda, representa redução da oferta de serviços públicos em áreas como saúde, educação e assistência social”, analisou Marques. Vladimir Nepomuceno, diretor da Insight Assessoria Parlamentar, completou que não é preciso cortar de quem já ganha pouco para custear o combate à pandemia ou outra qualquer calamidade pública.

“Basta fazer uma reforma tributária onde os verdadeiramente mais ricos fossem tributados. Pelo menos o 1% mais rico já seria suficiente para custear todas as despesas dessa pandemia atual. Por que não cobrar sobre lucros e dividendos, sobre aviões e embarcações, que hoje são isentas? Por que não diminuir as isenções, principalmente do agronegócio exportador, que é cada dia mais rico e nada paga sobre essa riqueza?”, questionou. Até mesmo especialistas que defendem o teto dos gastos e o ajuste fiscal, olham o congelamento com reservas.

O economista Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas, assinalou que, “ainda que existam estudos demonstrando que o salário médio do servidor público é maior do que o da iniciativa privada, a meu ver a suspensão de reajustes salariais para o funcionalismo público tem que ser uma medida temporária e – se indispensável for – justa”. No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), segundo a Instituição Fiscal Independente, do Senado, há R$ 7,1 bilhões de alta para pessoal militar (lei 13.954/19), apontou. “Trata-se de exceção à lei complementar 173/20, que impediu reajustes a todas as outras carreiras. Por que esse tratamento diferenciado?”, reforçou o questionamento.

Além disso, há outras áreas que precisam ser analisadas para que o ônus não seja apenas o do servidor público, afirmou Castello Branco. “Os gastos tributários, por exemplo, somam R$ 307,9 bilhões. Dinheiro que o governo deixa de arrecadar a título de renúncia de receita, para beneficiar determinados setores. Será que um pente fino nesses benefícios não iria gerar recursos para custear ao menos parte do auxílio? Na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020 estava prevista a revisão dos benefícios tributários para redução anual equivalente a cinco décimos por cento do PIB até 2022. Quanto foi efetivamente cortado? Em quais setores?”, questionou Castello Branco.

governador Ibaneis Rocha (MDB) decidiu agora à noite (25/02) adotar medidas restritivas para evitar a ampliação da proliferação da covid-19 no DF. A partir de segunda-feira (29/02), toda a atividade econômica na cidade ficará fechada de 20h às 5h, com exceção de serviços essenciais.

 A medida atinge principalmente lojas, restaurantes e bares. Ibaneis foi informado de que a ocupação dos leitos em UTI chegou a um nível preocupante, próximo do colapso, superior a 90%.

Por isso, ele tomou essa decisão, depois de passar os últimos dias tentando evitar o lockdown que atinge fortemente a atividade econômica no DF.

 O decreto com os detalhes das regras de restrições deve ser publicado na edição desta sexta-feira (26/02) do Diário Oficial do DF.