Em discurso feito momentos antes da votação, Pacheco afirmou que terá uma gestão independente em relação aos outros poderes e que não haverá "nenhum tipo de pressão externa". Segundo ele, "governabilidade não significa ser subserviente ao governo". Pacheco também assumiu um compromisso pela defesa intransigente do Estado Democrático de Direito.
Em cédula de papel, o Senado Federal elegeu o Senador Rodrigo Pacheco (57 votos de 81 possíveis) para presidir a Casa no biênio 2021/22
Senador mineiro disse que a sua gestão, formada com alianças de diferentes correntes ideológicas, pode ser uma oportunidade de "pacificação" das relações políticas
Julia Lindner e André de Souza
01/02/2021 - 18:58 / Atualizado em 01/02/2021 - 20:24Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi eleito presidente do Senado Foto:
Davi Alcolumbre (DEM-AM). Presidiu de 2019 a 2021 020
Eunício Oliveira (MDB-CE). Presidiu de 2017 a 2019 018
Renan Calheiros (MDB-AL). Presidiu de 2013 a 2017 017
José Sarney (MDB-AM). Presidiu de 2009 a 2013 Foto: 09
Garibaldi Alves Filho (MDB-RN). Presidiu de 2007 a 2009
Tião Viana (PT-AC).interinamente de out a dez de 2007
Renan Calheiros (MDB-AL). Presidiu de 2005 a 2007
José Sarney (MDB-AM). Presidiu de 2003 a 2005
Ramez Tebet (MDB-MS). Presidiu de 2001 a 2003
Edison Lobão (MDB-MA). Presidiu interinamente por nos dias 19 e 20 de setembro de 2001, quando pertencia ao PFL, atual DEM Ao mesmo tempo, o senador mineiro disse que a sua gestão, formada com alianças de diferentes correntes ideológicas, pode ser uma oportunidade de "pacificação" das relações políticas:
— Vamos fazer disso uma grande oportunidade, uma grande oportunidade singular de pacificação das nossas relações políticas e institucionais porque é isso que a sociedade brasileira espera de nós.
Defensor de uma nova rodada do auxílio emergencial durante a pandemia do novo coronavírus, Pacheco disse que é preciso tentar conciliar o teto de gastos públicos com a área da assistência social.
— Nos primeiros instantes, caso vossas excelências me outorguem o mandato de presidente, nós vamos inaugurar um diálogo pleno, efetivo e de resultados, porque isso é para ontem, para que se possa conciliar o teto de gastos públicos com assistência social num dialogo junto com a equipe econômica do governo federal — declarou.
Nos primeiros anos de sua carreira pública, Pacheco ganhou rápida notoriedade no Congresso ao ocupar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em 2017. O então deputado era filiado ao MDB. Ele teve a sua atuação no colegiado elogiada até mesmo pela oposição ao conduzir as denúncias contra o ex-presidente Michel Temer, na época seu correligionário.
Como mostrou o GLOBO, Pacheco continua atuando como advogado criminalista em Minas Gerais em casos que envolvem a defesa de suspeitos por corrupção passiva, extorsão mediante sequestro, homicídio qualificado e lavagem de dinheiro. Agora eleito, ele terá de deixar a advocacia temporariamente, porque a atividade é considerada incompatível, mesmo que em causa própria, para o chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais.
Articulação
Na véspera da eleição desta segunda, Pacheco ainda tentava contemplar interesses de todos os aliados, que juntos representam mais de dez partidos. Na reta final, ele dividiu e conquistou votos até mesmo na sigla de sua principal adversária, Simone Tebet (MDB-MS), que acabou sem apoio dos emedebistas e optou por manter a candidatura de forma independente.
Encabeçada pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a estratégia de campanha de Pacheco foi se antecipar aos movimentos dos adversários. Assim, ele saiu na frente ao conquistar o apoio de partidos expressivos, como PSD e PT, antes mesmo dos emedebistas decidirem quem seria o seu representante na eleição.
Além disso, após o MDB lançar a candidatura de Simone, Pacheco iniciou uma ofensiva sobre os possíveis aliados da emedebista. A estratégia contou com a influência do Palácio do Planalto em momentos decisivos, entre eles o anúncio do PSDB de que iria liberar a bancada na eleição, sem se comprometer com nenhuma candidatura. Dias antes, tucanos garantiam que iriam endossar o nome do MDB.
Outro momento simbólico que pesou a favor de Pacheco recentemente foi conquistar o apoio da Rede, legenda que possui apenas dois senadores, mas que se coloca contra a gestão Jair Bolsonaro e tem certo alinhamento com Simone. Em nota, o senador Fabiano Contarato (ES) justificou o voto ao dizer que não há candidatura de oposição na disputa que pudesse propor "uma alternativa de clara objeção ao governo federal".
Em entrevista ao GLOBO, há uma semana, Simone negou a existência de qualquer ameaça à democracia no momento, evitou se comprometer com um eventual processo de impeachment de Bolsonaro e destacou que apoiou mais propostas do Executivo do que o próprio Pacheco. No discurso, a parlamentar seguiu orientações de caciques do MDB, que defendiam um tom de moderação em relação ao Planalto.
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Na semana que antecedeu a eleição, aliados de Pacheco deram a cartada final na corrida pela presidência ao fazer com que o MDB, maior partido da Casa, com 15 senadores, desistisse de manter candidatura própria. Simone, no entanto, decidiu seguir com a candidatura avulsa, com o apoio formal do Podemos, Cidadania e PSB. Até dois dias antes do pleito, entretanto, emissários de Pacheco e Alcolumbre ainda tentavam convencer a parlamentar a desistir por avaliar que a presença da senadora causa 'constrangimento', mas ela indicava estar irredutível por avaliar que precisa marcar posição.
Com o embarque do MDB na campanha, mesmo que sem apoio oficial, Pacheco também passou os últimos dias buscando uma forma de incluir os emedebistas na sua gestão. Eles devem assumir a vice-presidência da Casa, representados por Veneziano Vital do Rêgo (PB), e outros cargos. A eleição para a composição da Mesa Diretora está prevista para ocorrer nesta terça-feira.


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