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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Usuários do Facebook consideram machista propaganda do Ministério da Justiça na rede



Campanha contra consumo de bebidas alcoólicas em excesso traz imagem de mulher sendo humilhada
POR O GLOBO

Campanha do Ministério da Justiça é criticada por usuários do Facebook: ‘Ridícula’ - Reprodução

RIO - O Ministério da Justiça publicou, nesta quinta-feira, em sua página no Facebook,a imagem de uma campanha que tinha o objetivo de convencer os jovens a não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas. A ideia da campanha #BebeuPerdeu era passar o recado com uma pitada de humor, mas a peça publicitária foi criticada por muitos internautas que viram ali um reforço a estereótipos machistas.

“Bebeu demais e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te lembrar por muito tempo”, diz o texto que acompanha a foto de uma jovem que parece ser vítima de comentários maldosos de amigos.

Os usuários do Facebook alegaram que a campanha faz piada com dois assuntos muito sérios: o abuso sexual de mulheres embriagadas e a humilhação das vítimas.

“Campanha de conscientização... Você está fazendo isso muito errado. Quer conscientizar acerca do uso abusivo da bebida, mas ao mesmo tempo associa e reforça o bullying, ainda mais entre mulheres?’, questionou uma internauta.

“Ridícula a propaganda. Lembrar de homens que bebem e batem nas mulheres não lembram não, né?”, criticou outra.

A maior parte dos usuários da rede social criticou o alvo da campanha ser uma mulher, já que, na maioria das vezes, elas, embriagadas ou não, são as vítimas de ataques.

“Vocês querem dar a entender que se a mulher beber demais e for humilhada e violentada de alguma forma, a culpa é dela, e não de quem violentou e de quem expôs? Com que direito vocês naturalizam a violência contra a mulher? Mulher que bebe perde a dignidade, o direito ao respeito, ao próprio corpo, à privacidade, à intimidade, à vida? Essa campanha é uma vergonha. (...) Que tal fazer uma campanha para conscientizar homens e mulheres a tratar com dignidade pessoas que estão vulneráveis e incapacitadas de se defender, ao invés de naturalizar o bullying e a culpabilização da vítima?”


05/02/2015 14:45 / ATUALIZADO 05/02/2015 16:29

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